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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Soneto que nada diz

Yvanna Oliviera


Eu busco, amor, no meu íntimo o que te expresse

O sentimento veemente que me despertas

Mas é em vão, não há versos ou rimas certas

Toda poesia é pequena ao que me parece.


Toda palavra é confusa, logo emudece

Assim que vê o que deve ser traduzido

Então eu calo e te faço só um pedido

Aceite os versos, simplórios. Já anoitece.


E o verso puro que eu quis a mim recusou

Minha agonia já mostra meu insucesso

Eu sinto tanto e não digo. Está bem, confesso:


Sinto-me fraca, pseudopoeta sou

Peço-te entenda a coragem desta aprendiz

Que te oferece um soneto que nada diz.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Soneto ao Silêncio

Yvanna Oliveira

O meu silêncio tem um quê de sagrado

Fica guardado em teu olhar se desprende

tanto diz quanto te quero ao lado

Fala tão alto que teus olhas entendem


Deixo-o guardado; meu silêncio só teu

Pois sei que quando nossos olhos se amparam

Culto sagrado: teu silêncio no meu

Eles se guardam, nos protegem, se encaram


Nosso silêncio, sentimento, tem tom

Pura harmonia. Nosso amor faz-nos ver

Luz por saber que ouvir silêncio é um dom.


Faz-nos ouvir só o que carece de o ser

É melodia quando há ausência de som

É voz, sussurro, faz sorrir, dá prazer.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Soneto Onírico

Yvanna Oliveira

Estou sonhando e ouço o som dos teus acordes...
neste meu sonho que é real em demasia,
sei que te amo... Veja só que ironia!
Tanto que eu quis descrer do amor... não me acorde!

Nunca me vi feliz assim, que me recorde
o teu olhar me purifica e tem magia
quando descrente, nem idéia eu fazia
da intensidade do amor... Que em mim transborde!

Quero-te tanto e não suporto a despedida
nos vejo juntos flutuando na quimera
É tão concreto o que o tempo consolida

Te sinto firme, tão presente em minha vida
Meu companheiro ao meu lado em toda era
Pra me cuidar e me amar sem ter medida.

Na tua ausência

Yvanna Oliveira

Quanto quero que meu verso te transporte!
Quero os teus olhos nos meus, no mesmo nível
Pois sem ti a noite é longa e é terrível
Se ao meu lado não te sinto, sou sem norte!

Teu sorriso e teu olhar me tornam forte
Com coragem, eu transponho o instransponível!
Longe, Amor, viver feliz, é impossível
pois que a ausência me retalha a carne em cortes!

E a minha dor é reduzida a uma assertiva:
sem tua parte que me cabe, me abrevio;
tu me expões – sou corpo e alma em carne viva!

Se és distante grita em mim um só vazio
protestante de tua falta, e à deriva
sem ter rumo, incompleta, silencio.